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CARREGAR O CLICKER

Data: 22/10/2008
Autor: CÃO CIDADÃO

Para usufruir inteiramente das vantagens do treinamento com clicker, antes de qualquer coisa, você deve “carregar” o clicker (relacionar o barulho à recompensa). Para isso basta clicar e logo em seguida entregar a recompensa. Depois de algumas repetições o cão saberá que o click significa “ganhei algo muito bom”. Porém alguns cuidados devem ser tomados para que associação de forma rápida e eficaz:

> Clique/pare por um segundo/dê a recompensa. Isto pode parecer bem simples, mas a maioria das pessoas não faz isso corretamente logo de início. Se você logo quando clica se move para entregar a recompensa o cão irá prestar atenção aos seus movimentos e não ao som do clicker. É muito importante que o som do clicker seja o primeiro indicativo de que o cão vai receber a recompensa, sem isso o clicker nunca irá ter o valor necessário para se obter bons resultados;

>Se possível prefira petiscos a brinquedos na hora de carregar o clicker, pois brinquedos exigem mais tempo. Os melhores petiscos são aqueles que podem ser oferecidos em pedaços bem pequenos e que sejam de ingestão rápida, em geral petiscos de carne e salsicha são melhores que biscoitos caninos pois o animal engole mais rapidamente e eles não deixam migalhas no chão, podendo desviar a atenção do cão;

>Não se preocupe em ensinar qualquer comportamento neste estágio, apenas procure não clicar quando o cão está fazendo algo que decididamente não queremos como pular, morder de brincadeira etc. Uma boa dica é clicar quando o cão está olhando para você pois dessa forma ao mesmo tempo que você carrega o clicker você estará reforçando a atenção do cão em você.

Obs: Alguns cães mais tímidos podem se assustar inicialmente com o barulho do clicker, especialmente se este for utilizado em ambientes fechados. Se você observou alguma reação de medo em seu cão procure abafar o som de alguma forma (clicando dentro do bolso ou cobrindo o clicker com um pano, por exemplo), procure abafar menos o som quando o cão mostra confiança até poder trabalhar normalmente. O som do clicker, em geral, não é desagradável e até desperta interesse. mas cuidado para não clicar muito próximo à orelha do animal isso pode ser mesmo desagradável, teste no seu ouvido se você tem alguma dúvida quando a isso.

CAPTURAR E MODELAR COMPORTAMENTOS

Quando dizemos que um comportamento foi capturado estamos dizendo basicamente que o cão entendeu exatamente qual foi o comportamento que fez para ser recompensado. Para capturar um comportamento utilizando o clicker basta clicar no exato momento em que o cão apresenta um determinado comportamento, depois de algumas repetições o cão estará repetindo o comportamento sem parar já sabendo que será recompensado. Um exemplo disso é o “sentar”, se clicarmos sempre imediatamente após o cão se sentar, ele começará a oferecer esse comportamento mais freqüentemente ou até insistentemente, na expectativa de ser recompensado. O comportamento “sentar” já existia no repertório do cão mas por não ser recompensado diretamente só ocorria quando o cão achava necessário. Quando o cão tem certeza de que sentar provoca o click, consideramos o comportamento capturado. O exemplo de sentar é bem simples, mas capturar comportamento é utilizado sempre, para qualquer coisas que queiramos ver repetir-se, mesmo em comandos mais complexos como ir até um determinado local ou latir. Muitas vezes, queremos ensinar coisas a nossos cães que eles não apresentam naturalmente ou com freqüência suficiente. Nesses casos utilizamos a modelagem de comportamentos.

Modelar um comportamento significa moldar aos poucos um determinado comportamento até chegarmos onde realmente queremos. Já sabemos que quando reforçamos um comportamento ele passa a se repetir com maior freqüência, para modelarmos um comportamento basta ir aumentando o grau de exigência no sentido certo do comportamento que queremos chegar.

Para dar um exemplo mais claro, vamos imaginar que estamos ensinando um golfinho a saltar, nosso objetivo e ter o golfinho saltando a 3 metros de altura. Faz parte da natureza dos golfinhos dar pequenos saltos para fora da água, mas esses saltos não costumam passar de 1 metro, então, o que fazemos é clicar quando o golfinho salta até que ele esteja repetindo incessantemente esse comportamento, seus saltos irão variar de altura, vamos imaginar que de 0,5 até 1 metro. Se começarmos a recompensar apenas os saltos de 1 metro logo os saltos irão variar de 0,8 a 1,20 metros, daí aumentaremos nosso padrão para 1,20 metros e assim por diante até termos a altura desejada.

Os animais são em geral muito perfeccionistas e conscientes de suas atitudes portanto é possível modelar comportamentos com extrema precisão, cada mínimo detalhe de um comportamento pode ser modelado, por exemplo, podemos modelar o comportamento “deita” para que as patas do cão fiquem paralelas, a cabeça alta, ou mesmo o tempo em que o cão se deitou pode ser mais rápido. O importante é que cada detalhe que queremos aprimorar deve ser modelado separadamente, por exemplo, primeiro iremos exigir que o cão deite reto e só depois que conseguirmos isto é que começaremos a aperfeiçoar o tempo em que ele demora para deitar. Tentar se concentrar em vários detalhes ao mesmo tempo pode levar a frustrações tanto para o cão como para o adestrador. Outro ponto muitíssimo importante na hora de modelar um comportamento é procurar manter os padrões de exigência num nível que o cão ainda consiga acertar com freqüência. Para exemplificar melhor vamos voltar ao caso dos golfinhos, se em cada 10 saltos 5 são de 1 metro, 4 são de 1,10 metros, e 1 é de 1,20 metros, se tentarmos reforçar apenas os saltos de 1,20 metros é bem provável que o golfinho desista de tentar. Na realidade, basta recompensar os resultados acima da média para conseguirmos aperfeiçoar um comportamento. Na prática é claro que não estaremos medindo os resultados, a sensibilidade de saber quanto podemos exigir de cada cão é uma coisa que adquirimos com a prática, o importante no começo é sempre concentrarmos em um só ponto e procurarmos dar pequenos passos de cada vez. Se você sentir que seu cão ou você estão ficando frustrados, não hesite em diminuir os padrões de exigência. Todo o processo de modelagem de comportamentos deve ocorrer de forma lenta e gradual. Não corra o risco de ver seu trabalho perdido na ânsia de resultados instantâneos; cada cão tem seu tempo para aprender.

COMO INDUZIR O CÃO A FAZER O QUE QUEREMOS?

Quando estamos trabalhando com recompensas é muito importante que o cão não seja fisicamente obrigado a fazer nada, ao contrario do adestramento tradicional onde o cão é colocado na posição que queremos ou obrigado a fazer uma determinada coisa, neste tipo de adestramento o cão deve ser induzido a fazer o que queremos sem nenhum uso da força em geral nem é preciso tocar no animal. O cão irá aprender a obedecer porque é agradável e divertido. Então, como conseguiremos que o cão faça o que queremos? Na realidade é bem simples, basta ter o cão interessado em uma recompensa que ele irá segui-la e tentar diversas maneiras de consegui-la. Estaremos demonstrando algumas formas de induzir o cão para que ele aprenda diversos comandos, mas não existe uma regra, existem infinitas formas diferentes de se ensinar um único comando, basta usar a criatividade e tentar, você vai perceber que seu cão é muito mais inteligente do que imaginava e irá conhecer melhor todos os aspectos de seu comportamento. Algumas vezes, principalmente quando queremos ensinar coisas mais complexas aos cães, que necessitam tirar a atenção do cão de você ou da recompensa em si, podemos utilizar uma ferramenta chamada “Target”.

TARGET- UMA FERRAMENTA QUE PODE AUXILIAR NO ADESTRAMENTO

A palavra “target” tem origem na língua inglesa e em português quer dizer alvo. O target funciona como um imã que atrai o cão e pode ser utilizado para diversos fins. Você pode fazer com que qualquer coisa se transforma num target, desde um pedaço de madeira ate a sua própria mão. A intenção é fazer com que o cão toque ou siga o target. Diversas funções podem ser atribuídas ao target, entre elas possibilitar ao adestrador guiar o cão na execução do comportamento que se quer ensinar. Isso porque se fossemos esperar que o cão apresente todos os comportamentos naturalmente sem ser induzido de alguma forma levaríamos muito tempo para atingir nossos objetivos.

COMO FAZER DE SUA MÃO UM TARGET

A utilização da mão como target, é muitas vezes essencial no ensino de comandos. Para transformar sua mão em algo que o cão siga (target), observe o esquema abaixo:

1. Coloque sua mão à frente do cão, próxima ao focinho. Quando ele cheirá-la, tocá-la ou mostrar qualquer tipo de interesse, clique;

2. Gradualmente parabenize o cão ao mostrar interesse por sua mão, aumentando aos poucos o padrão de exigência, comece a mover a mão e clique se o animal a seguir, vá aumentando aos pouco a exigência do tempo que o cão deve seguir o target;

3. Quando houver um comportamento constante, introduza a palavra “toca” como comando para que o cão toque sua mão. Passe a recompensá-lo somente nas vezes em que ele tocou quando você deu o comando.

EXERCÍCIO PRÁTICO

>Na aula prática você aprenderá como carregar seu clicker. Click e dê logo em seguida a recompensa para seu cão. Faça isso repetidas vezes. Para testar, click e então verifique se seu cão fica atento para a recompensa;

>Você aprenderá também como capturar o comportamento. Qual o momento certo de clicar. Por exemplo, aproxime-se de seu cão e faça festa. Se ele pular diga "NÃO" e vire-se. Quando ele não pular mais após a festa, click, espere um segundo e recompense.

Alexandre Rossi
Autor do livro: Adestramento Inteligente.
Especialista em Comportamento Animal.
Tel.(011)3571-8138 e 7814-2633
www.caocidadao.org.br


 
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